Manejo Florestal é uma das diversas técnicas de preservação do meio ambiente por meio da colheita de árvores mais velhas, deixando as mudas mais novas protegidas para a colheita futura. Essa técnica foi desenvolvida para administrar de forma organizada a extração de madeira e reduzir o impacto ambiental, assegurando a capacidade da floresta de se regenerar naturalmente e a manter sua biodiversidade.
A definição legal do que é o manejo ambiental foi estabelecido apenas em 2006, com a sanção da Lei de Gestão de Florestas Públicas como a "administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras, de múltiplos produtos e subprodutos não madeireiros, bem como a utilização de outros bens e serviços de natureza florestal".
O Manejo Florestal está ligado à história da ciência florestal e da silvicultura, ciência que estuda métodos naturais e artificiais de regeneração de florestas. As primeiras experiências no campo foram feitas na Alemanha, no século XIX. O objetivo dos primeiros testes era determinar a capacidade máxima de produção das florestas temperadas durante um regime de manejo. Enquanto os europeus desenvolviam e estudavam a técnica, o Brasil permaneceu apático ao assunto por quase um século. Por aqui, as escolas pioneiras da área florestal só apareceram na década de 1960. As experiências mais antigas feitas em solo brasileiro aconteceram em 1958, em Santarém, no Pará. Foi o embrião que impulsionou os demais estudos e pesquisas.
A partir daquele momento, o governo brasileiro passou a olhar para suas florestas com mais atenção. Em 1965, o governo federal aprovou o primeiro Código Florestal Brasileiro. Inovador para a época, o Código afirmava que as florestas da região amazônica só poderiam ser exploradas com planos de manejo. Mas os anos seguintes evoluíram em passos muitos lentos. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa) tomaram a frente dos experimentos de manejo florestal nas décadas de 1960 e 1970.
Para que o Manejo Florestal seja realizado de maneira correta e eficaz, é preciso elaborar um plano de ação, que pode ser dividido em três fases: inventário florestal e atividades pré-exploratórias, exploração florestal, e atividades pós-exploratórias.
Inventário florestal e atividades pré-exploratórias: é a etapa de planejamento, que costuma ser desenvolvida em até um ano antes da exploração. Técnicos realizam estudos para caracterizar a cobertura vegetal da região e averiguar seu potencial madeireiro por meio de amostras. Com esses primeiros dados em mãos, é feita a análise para definir se o projeto é economicamente viável. Essas informações prévias também servem para definir o ciclo de corte, ou seja, a freqüência com que uma determinada área será explorada.
Exploração florestal: é a fase em que serão aplicadas técnicas de abate de árvores que permitam controlar a direção da queda e minimizar o dano a outras árvores e que aproveitem o máximo volume possível do fuste, porção do tronco que vai da raiz à primeira forqueadura. As árvores são cortadas próximas do solo e espécimes ocos são evitados, já que possuem baixo aproveitamento. Após as derrubadas, as copas das árvores são cortadas e as toras são arrastadas até os pátios de estocagem. Os equipamentos que fazem este arraste percorrem trilhas planejadas para ter o menor impacto possível sobre o solo e a floresta, além do menor custo de operação. O uso de equipamentos especiais, como tratores florestais, também ajudam na otimização do arraste. Com as árvores já derrubadas, inicia-se um trabalho de monitoramento do trecho explorado para certificar-se de que o crescimento da floresta continue e sua dinâmica de espécies não seja alterada. Este monitoramento também ajudará a guiar novos ciclos de exploração.
Atividades pós-exploratórias: tratam-se de atividades como os cortes de liberação, no qual as árvores não-comerciais são cortadas para que espécies comerciais possam crescer, ou como os plantios de enriquecimento, em que mudas valiosas e de baixa ocorrência são plantadas.
Para estimular a extração de madeira de forma correta, foi criado o FSC, selo do Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal. Ele garante que a madeira foi manejada devidamente e que todo o processo foi acompanhado por uma equipe capaz de certificar a origem da madeira extraída.
Uma das maneiras de saber se a empresa responsável pela extração da madeira obedece às regras do Manejo Florestal é verificar a obtenção do selo FSC, que também oferece a Cadeia de Custódia. Trata-se de uma certificação que garante a rastreamento de toda cadeia produtiva da madeira extraída, independentemente de sua utilização e destino. O certificado funciona como uma espécie de garantia, pois a lista de exigências para que ele seja adquirido é muito maior do que o que é exigido por lei.
A Orsa Florestal desenvolve, desde 2003, o Manejo Florestal Sustentável com espécies nativas da Floresta Amazônica. Para tanto, utiliza o sistema de “Colheita de Baixo Impacto”, que tem como característica principal o planejamento detalhado das atividades de colheita florestal. Este visa à extração da madeira nativa com a máxima eficiência e segurança e com o menor impacto ambiental possível.
A área total do manejo é de 545 mil hectares, dos quais 92 mil hectares são destinados à preservação absoluta: um terreno constituído por sete reservas genéticas e pela área do entorno da Estação Ecológica do Jari. Com ciclo de colheita de 30 anos, a área bruta de produção anual é de, aproximadamente, 15 mil hectares.
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