O cultivo de uma planta típica da região amazônica vem mudando a realidade da agricultura familiar de diversas famílias residentes no Vale do Jari. O curauá pode vir a ser mais um modelo de desenvolvimento econômico para comunidades nativas da Amazônia oriental.
O curauá é uma planta de fácil cultivo, e sua fibra, biodegradável e leve, é utilizada em peças da indústria automobilística. Os plantios feitos em áreas das comunidades recebem orientação de profissionais do Grupo Orsa e estão sendo ampliados, ganhando escala.
As fibras recebem o primeiro beneficiamento no local de origem, processo chamado de despolpamento. Depois são vendidas a empresas que fabricam produtos finais. O projeto está mudando a realidade local porque utiliza áreas degradadas, leva informação técnica ao pequeno agricultor e gera alternativa de renda para pequenas propriedades na Amazônia.
Na fase de implantação do projeto, a Fundação Orsa é responsável pela multiplicação do material genético, seleção das famílias participantes, assistência técnica e auxílio na comercialização da fibra. A previsão é que, em cinco anos, a comunidade domine a produção e a comercialização de fibras. Dessa forma, a Fundação Orsa poderá estender o projeto a outras comunidades.
Para ter idéia do potencial da fibra do curauá, ela é quatro vezes mais resistente que a do sisal, sem comprometer as características físico-mecânicas necessárias pela indústria. A técnica para substituir a fibra de vidro pela de curauá já foi patenteada por pesquisadores da Unicamp. Ela é dez vezes mais barata que a fibra de vidro e não necessita de fertilizantes químicos em seu plantio. Ou seja, é uma solução ao mesmo tempo rentável e ambientalmente correta desenvolvida no meio da Amazônia.
O Centro de Oportunidades e Potencialidades Profissionalizantes (COPP) busca promover a formação humana, a qualificação profissional e a organização produtiva de adolescentes e jovens de 14 a 24 anos das comunidades atendidas pela Fundação Orsa.
O COPP oferece qualificação e assessoria nos seguintes segmentos: sistemas de produção rural agroextrativistas (Escola de Produção Familiar Rural); Madeira (Escola da Madeira); informática (Escola de Inclusão Digital); aprendizagem profissional de acordo com a Lei de Aprendizagem (Geração Aprendiz); papel (Oficina do Papel).
O Centro de Excelência da Mulher tem como objetivo promover a emancipação social e econômica das mulheres mães do Vale do Jari.
No CEM, as mulheres desenvolvem habilidades pessoais para o desempenho de atividades como gestão familiar e comunitária, além de receberem incentivo ao empreendedorismo por meio de capacitação e crédito popular solidário.
Um dos principais resultados deste projeto foi a formação da AMARTE – Associação das Mulheres Mães Artesãs. Este grupo produtivo trabalha na confecção de ecojóias e acessórios com recursos da própria floresta. Mulheres que nunca haviam trabalhado hoje conquistam renda extra para apoiar o orçamento doméstico.
Os agentes de segurança cuidam de uma área de 1,3 milhão de hectares da Jari Celulose, no Pará, e atendem centenas de famílias que vivem em comunidades ribeirinhas e florestais. Eles fazem visitas periódicas às famílias de baixa renda, orientam sobre saúde, primeiros socorros, saneamento básico, alimentação e cuidados com crianças. O trabalho contempla ainda informações sobre vacinação e amamentação para as famílias com recém-nascidos.
Toda a atuação desses profissionais com essas famílias é voluntária. Os agentes também promovem eventos dedicados à cidadania e ajudam na emissão de documentos e na avaliação nutricional das crianças. É um exemplo de cidadania e ação voluntária no meio da Amazônia.
Desde sua implantação em 2003, a Orsa Florestal incorpora práticas de responsabilidade social e ambiental em suas atividades. Este compromisso dentro das operações da empresa se divide em três vertentes: a responsabilidade com o público externo, com o público interno e com o meio ambiente.
Devido à utilização do fruto do pequiá para alimentação dos moradores locais, por exemplo, a espécie somente é colhida a partir de três quilômetros de distância das comunidades. Já as espécies andiroba e copaíba nunca foram colhidas pela Orsa Florestal porque, destas árvores, são produzidos óleos fitoterápicos usados na medicina regional, podendo se tornar um projeto de geração de renda por meio do manejo florestal de produtos não-madeireiros. O direito à caça e ao extrativismo de subsistência também são assegurados aos povos da floresta.
Outro ponto importante são os benefícios que a comunidade obtém a partir das inúmeras estradas abertas pela empresa para suas operações florestais. Neste território amazônico, em que a condição das vias de acesso é fundamental para que a comunidade consiga comercializar seus produtos e ter acesso a direitos básicos como escolas e hospitais, as estradas operacionais principais freqüentemente servem como malha viária à população local. A estrada que hoje liga Almeirim a Monte Dourado, por exemplo, foi implantada inicialmente para o transporte de madeira. Mais segura que a rota anterior, ela se tornou o caminho principal para ligação do município e seu distrito.
A responsabilidade da empresa junto ao seu público interno é garantida desde a integração do trabalhador ao quadro por meio de rígido programa de treinamento, de comunicação, de atendimento da legislação trabalhista e de capacitação e orientação de segurança. Todas as manhãs, antes do início das atividades, os líderes de cada frente de trabalho orientam suas equipes a adotar procedimentos de segurança de acordo com as condições de trabalho (Diálogo Diário de Segurança - DDS). Além da informação, os equipamentos de proteção individuais (EPI) , são grandes aliados para se evitar acidentes. As equipes de campo e de serraria trabalham equipadas com botas, capacetes, luvas, uniforme, óculos e outras proteções de acordo com a função exercida. Os veículos da empresa se comunicam entre si e também com a central por meio de rádio para que, caso ocorra um incidente, o atendimento do trabalhador seja rapidamente providenciado.
Sob a ótica da responsabilidade ambiental, a Orsa Florestal também adota importantes ações preventivas e de redução de impacto para o ecossistema. Dentro das operações florestais de baixo impacto ressaltam-se o planejamento minucioso da abertura de estradas, pátios e das trilhas de arraste, o cuidado com a largura das vias de acesso e o controle de erosão e recuperação de estradas. Aos cursos d´água é garantida a manutenção do seu leito natural por meio da construção de pontes ou instalação de manilhas e, tanto a operação de manejo quanto da serraria, adotam coleta seletiva de lixo.
Outro compromisso da Orsa Florestal com a Amazônia diz respeito às áreas de clareiras superiores a 200 m², que são recuperadas com o plantio de espécies nativas multiplicadas em viveiro próprio e dentro da área manejada. A sucessão ecológica das clareiras é estudada pela EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) CPATU (Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido) e Universidade Federal de Santa Maria (RS) com dados disponibilizados pela empresa. As mudas de espécies nativas também são doadas à população local para a recuperação de suas propriedades.
Todo esse compromisso da Orsa Florestal no Vale do Jari é conseqüência do início das atividades do Grupo Orsa na região no ano 2000, quando a corporação assumiu o desafio de ajudar a mudar a realidade local, que tinha um grande passivo social: aglomerados urbanos sem infra-estrutura básica, políticas públicas fragilizadas e famílias em situação de miséria e violência. Ao longo de quase oito anos de atuação, mais de R$ 40 milhões foram investidos em programas e projetos sociais de desenvolvimento local, sempre assistido pela Fundação Orsa. Todo esse trabalho – conhecido como Laboratório de Sustentabilidade na Amazônia – vem gerando experiências que têm sido replicadas em outras regiões do país. A Orsa Florestal segue esse caminho e aposta no desenvolvimento por meio do equilíbrio entre negócios, meio ambiente e pessoas.
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